Me dei flores de presente

Um dia desses encontrei um papel escrito em letras miúdas um texto de Veronica Shoffstall chamado “Um dia a gente aprende”. O que mais me chamou a atenção neste texto foi a seguinte frase: “Plante você mesmo seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar eternamente que alguém lhe traga flores”. Então, comecei a questionar quanto tempo perdemos esperando que as pessoas nos tragam essas benditas flores, e a partir disso pude fazer uma analogia entre essa busca intensa por felicidade e os atuais relacionamentos amorosos.

Questionei-me a importância abusiva que damos a relacionamentos amorosos, justamente porque é uma característica deles nos obrigar a escolher estritamente entre nos entregarmos ou nos deixarmos ser descartados. De forma íntima, e  imperceptível escolhemos entre o tudo e o nada. E só percebemos o quão envolvidos estamos quando paramos de viver por nós mesmos, e passamos a viver pelo outro, e a falta de reciprocidade nessa relação é o principal fator problemático de relacionamentos.

Pode parecer bonito esse gesto de entrega total ao relacionamento, mas ele pouco tem a ver com o bem estar do outro numa relação. O que ele guarda está muito mais para uma necessidade interna de afeto, uma forma de satisfazer amorosamente seus próprios interesses, do que deveria ser momentos de compartilhamento de ideias, de futuros e, enfim, de sentimentos.

Pois bem, não seria muito mais fácil se cada um cultivasse sua própria flor?! A partir do momento em que o compromisso da nossa felicidade couber unicamente a nós mesmos, criar laços amorosos não será mais uma relação de entrega unilateral, mas sim de partilha. Passaremos a verdadeiramente dividir o que as duas pessoas têm de melhor a oferecer a outra.

Tenho plena consciência, caro leitor, de que cultivar o próprio jardim é algo difícil e demorado, mas que sejamos pacientes e otimistas, plantando um ramo de cada vez, acreditando que o esforço vale a pena, pois um dia vai florescer e vamos nos dar conta que melhor do que depender de que nos façam feliz, é ser o gerador da nossa própria estima.

E como disse nossa querida Veronica Shoffstall, um dia a gente aprende.

Texto de Brenda Ribeiro, selecionado em concurso cultural.

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