Poesia 1: Sem Título

Pode parecer clichê

mas tudo passa

a gente querendo ou não.

E o que quiser permanecer

tem que se apropriar

tem que merecer

recordação.

Na memória não há espaço

pra sorriso opaco

e nem gaveta

pra interrogação.

Tem que mergulhar a noite,

água gelada

tem que sentir o choque

por opção.

Melhor que viver de meios termos

sem afeto,

dor,

viver sem coração.

Sem oferecer,

sem reparar

e se encantar.

A estrada plana é tão previsível

tão impermeável, irreversível

cenário manufaturado sob encomenda

chroma key de televisão.

Eu quero ver a natureza

me assombrando com tamanha beleza

e imensidão.

Sem título. São Paulo, julho de 2014.

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