“Existir é diferir”

(frase do título: Gabriel Tarde)

Hands

Começamos diálogos buscando endurecer ainda mais nossas concepções sedimentadas. Perguntamos a opinião do outro com um filtro nos ouvidos, que impede a passagem de tudo que o que não for de acordo com as ideologias que reproduzimos. Formamos frases, sentenças, sempre esperando uma confirmação. Perguntamos sem perguntar, só queremos concordância.

Por que tememos tanto o que difere de nós?

É tão importante que as falas provenientes de fora ultrapassem esse filtro que a gente constrói. Ultrapassem e incomodem, porque se incomodar, ao menos a mensagem foi recebida. E quem sabe assim não é gerado um questionamento, tanto das falas do outro, como de nossas próprias verdades.

Talvez a gente tenha tão pouca segurança dessas verdades imutáveis que pegamos para nós, que tememos colocá-las à prova. Queremos uma estabilidade inalcançável, mesmo que através da alienação. Gostamos da ilusão de saber quem somos e como o mundo funciona. É difícil aceitar a falta de controle, tanto quanto a responsabilidade. E é temeroso realmente olhar o outro, pois não quero me enxergar nele. Não quero me identificar com algo diverso, se já sei quem sou.

Talvez devêssemos começar pelos diálogos internos, nos questionando, nos apropriarmos do que é nosso, nos desvencilharmos do que não é, para então discutir com o outro. E sempre tendo em mente que tudo é temporário. Não há ser. Não há estar. Não sei, talvez haja. Eu acredito no devir.

A imagem do post é uma fotografia de Kyle Thompson.

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