Luz e escuridão

blueflowers

por Bárbara Libório do Clipe Sem Nexo

Na semana passada eu li Ivan Martins. E como sempre, o Ivan Martins me leu. Ele escreveu um texto sobre perdão que salvou meu dia, minha semana, quiçá a minha vida.

É que, faz pouco tempo, eu perdoei alguém. E foi um perdão difícil, doído, confuso. Eu olhei pra uma dezena de lembranças e eu só vi coisas boas, momentos felizes, sentimentos quentes. Nada daquela frieza que me vinha sempre que o coração apertava. E eu não consegui entender.

Eu não consegui compreender como é que aquelas coisas boas vieram a tona depois de tanto tempo me esforçando para lembrar somente do que foi ruim. Eu me senti culpada. Me vi sendo tola.

Foi então que eu lembrei de um trecho do livro “Comer, Rezar e Amar” da Elizabeth Gilbert. Era uma conversa entre ela e o ex-marido, em que ambos se perdoavam, se entendiam e seguiam em frente. O curioso é que a conversa só existiu na cabeça da Liz. Ela precisava do perdão dele e foi atrás disso, meio como um encontro de almas na imaginação. Parece místico demais, mas fez sentido para mim.

E aqui na minha cabeça eu também chamei alguém pra conversar. Nada de gritos, xingamentos ou ofensas. Eu contei o que senti e o que ainda sinto. Contei sobre o que ficou para trás e sobre o que eu ainda levo comigo. Contei sobre o que eu sempre vou levar. Abri meu coração de um jeito que eu nunca abriria cara a cara no mundo real. Disse coisas que provavelmente jamais seriam aceitas e talvez até fossem desprezadas. Mas aqui dentro, onde todo mundo é bom, a gente se entendeu.

E eu sorri e pude desejar o bem novamente. Aliás, mais que o bem. Eu pude desejar que a vida siga feliz, leve, sem o peso da mágoa, do rancor, do desamor. Eu entendi que mesmo que a gente nem sempre se livre de certas coisas, elas não precisam ser um fardo. Ás vezes a gente só precisa aceitar o que resta depois do final.

E sempre resta amor, saudades e carinho. Ainda que também reste um punhado de coisas tristes e lembranças ruins. Nada nem ninguém precisam ser tão oito ou oitenta. O que importa é que “onde há escuridão, há luz”. Pra onde você quer olhar?

LOGOVejaAlto

 Ps.: Lembrando que esse texto faz parte da nossa parceria com o Clipe Sem Nexo. Toda última segunda-feira do mês trocamos textos e essa é a primeira vez que escrevemos exclusivamente para o blog parceiro.

Então esse texto lindo da Bárbara é feito para nós, assim como o nosso que está lá é inédito.

Você pode conferir os outros textos dessa parceria aqui.

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