Felicidade Pessoal

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por Bárbara Libório do Clipe Sem Nexo

“O que você faz quando ninguém te vê fazendo? Ou o que você queria fazer se ninguém pudesse te ver?” 

Capital Inicial – Quatro Vezes Você

Foi fazendo um workshop de circo ontem, com 21 anos, nenhuma experiência prévia ou companhia para pagar mico, que eu descobri que é possível ser feliz sozinho.

Tá. Não tô dizendo que dá pra passar uma vida inteira conversando com o espelho ou sem um abraço gostoso no meio da noite, seguido de um beijo no raiar do dia. Mas que dá pra encontrar grande parte do que a gente precisa dentro da gente, dá.

Da coragem para dar uma cambalhota depois de anos, ao orgulho de fazer uma acrobacia que nunca imaginou conseguir. Claro que isso é só metáfora, mas não é lindo ver que a gente consegue se realizar sem precisar da aprovação dos outros?

Eu sempre tive – e ainda tenho – muito medo de frustrar os outros. Deixei de fazer dezenas de coisas pelo medo de tentar, errar, e acabar deixando alguém decepcionado. Eu ficava frustrada de qualquer jeito: por não tentar, e por errar. Vida meio triste essa minha.

Ontem, cercada de um monte de gente que eu não conhecia – e pra quem eu obviamente não devia nenhuma satisfação -, eu consegui relaxar e simplesmente deixar acontecer.

 “Ok, pode ser que eu quebre o pescoço tentando dar essa cambalhota estranha, mas vai ser divertido”. “Tá, pode ser que eu nunca consiga subir nas costas desse cara, abrir os braços e sorrir, mas eu quero tentar”.

E foi tão gostoso saber que se eu errasse, eu não decepcionaria ninguém!

Foi o tipo de coisa que me fez pensar em como somos maus no nosso dia a dia. Em como a gente tortura diariamente as pessoas exigindo e esperando delas boas ações, bons resultados, etc. Em como é um crime tirar a liberdade dos outros de errar, cair, estragar tudo.

Aquelas pessoas que estavam me vendo pela primeira vez na vida não tinham a maior expectativa sobre mim – talvez só a de que ninguém ficasse exigindo a atenção da professora toda hora, mas ok. Eu podia cair, podia dar risada, podia ficar tonta… Eles não estavam nem aí.

Óbvio que isso implica na possibilidade de ninguém bater palma quando você faz algo excepcionalmente bem – mas, acredite, você acaba se surpreendendo com a generosidade e bondade das pessoas que não conhece. Mas aí, você pode bater palma pra si mesmo.

Quantas vezes você já fez isso? Já se auto-congratulou sem que alguém fizesse isso também, te dando permissão para se sentir orgulhoso? É isso que eu chamo de “ser feliz sozinho”.

Eu acredito mesmo que a gente esteja nesse mundo para evoluir em conjunto, doando e recebendo dos outros. Mas também acredito que nada disso seja possível se a gente não conseguir encontrar em si mesmo um pouco de felicidade e paz.

Pode ser que ninguém te dê parabéns por algo que você acha super legal ter feito, e pode ser que todo mundo aponte seus erros e falhas como se você fosse incapaz às vezes. Acontece. Mas, se você olhar pra si mesmo e acreditar nas suas próprias emoções, esse monte de responsabilidade fica mais leve.

Ninguém está livre de frustrar um ou outro alguém – inclusive e principalmente quem a gente ama – de vez em quando. Mas o que dói mesmo é deixar frustrar-se por isso.

Eu recomendo que todo mundo faça um workshop de circo sozinho e sem experiência pelo menos uma vez na vida. Mas isso não é possível, claro. Por isso, eu só desejo que todo mundo viva, pelo menos uma vez, a experiência de ser feliz sozinho – seja em um insight de dois minutos, uma aula de duas horas ou uma viagem de um ano.

A gente só descobre quem a gente é de verdade quando não existe ninguém olhando.

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