Cidades de Papel

UM LIVRO SOBRE APARÊNCIAS, EXPECTATIVAS E A REALIDADE

“É tão fácil se esquecer de como o mundo é cheio de pessoas, lotado, e cada uma delas é imaginável e sistematicamente mal interpretada.”

   Lá vou eu de novo falar sobre mais um livro do John Green. Você, caro leitor, já deve ter percebido que eu até que curto um pouco os livros desse cara, só um pouco. Ao ponto de talvez fazer questão de ler até sua lista de compras.

Me impressiono e admiro muito como o Sr. Green é capaz de abordar com tanta simplicidade e brilho assuntos tão densos. Apesar de sempre manter seu estilo leve, fluido e repleto de referências; cada história e cada personagem tem sua peculiaridade.

Cidades de Papel não tem uma temática densa tão concreta como o câncer no famoso (bestseller, porém, bem longe de ser banal) A Culpa é das Estrelas, nem tem o humor de O Teorema Katherine; fala de coisas que nos rodeiam e nem percebemos, que estão além de um mero perceber, é preciso abstrair.

É tão viciante quanto os outros, talvez mais, por ter uma boa dose de mistério, que me lembrou um pouco de Jasper Jones, porém, não tão pesado.
E como todo bom livro, é como mijar: uma vez que você começa, é muito difícil de parar. (lynda comparação de Quentin. Quem é Quentin? Continue lendo…)

Uma coisa que talvez se mantenha nos livros de Green, é o gosto por protagonistas underdogs. Quentin Jacobsen, narrador em primeira pessoa de Cidades de Papel, é um simpático jovem de dezessete anos, com poucos e bons amigos, e uma paixão platônica por sua amiga de infância, vizinha e colega de escola, não mais tão amiga assim, mas o suficiente para aparecer na sua janela de madrugada e difícil de definir, pois as aparências enganam (e eu vou parar com isso agora, porque já deve ter cansado), Margo Roth Spielgeman. Sim, nome completo, estamos falando de uma lenda do High School, a linda garota popular que todo mundo adora e tem histórias incríveis para contar, tão incríveis que só acreditam porque foi ela quem viveu; e apesar de tudo, apenas uma garota.

O que parecia ser só uma noite de aventuras para colocar pingos no is, torna-se uma busca muito maior, que na verdade é uma busca maior e mais profunda ainda. Confuso? Não quero estragar nada, não vou muito além disso, caro leitor. O que mais posso dizer? Fala sobre “pessoas de papel vivendo suas vidas de papel, queimando o futuro para se manterem aquecidas”, o grande erro traiçoeiro de acreditar que uma pessoa é mais que uma pessoa. A vontade de enxergar além da janela escura e através das rachaduras; além da imaginação, que não é perfeita, mas é a única saída.

Cidades de Papel de John Green
Editora Intrínseca | 36 páginas

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