The Killing – Uma série de matar (turuntuntz)



Texto por: Rafael Mattos | título infame por: CMP.!

Quando você passa a assistir seriados com mais frequência e a pesquisar mais sobre o assunto, você acaba encontrando opiniões diversas sobre determinados programas. Séries como Friends ou Seinfeld são sempre ditas como as melhores séries de comédia já feita; Fringe e Doctor Who são conhecidas como as melhores sci-fis da atualidade; Lost possui um final decepcionante; How I Met Your Mother já enrolou demais para nos mostrar quem é a misteriosa mãe do título; e assim vai… São opiniões parecidas e que grande parte do público possui a respeito.
Porém, há sempre aquela série que é 8 ou 80, que pessoas adoram e defendem e existem aquelas que criticam, detonam e diz que é a pior coisa já feita para a TV. E é mais ou menos nessa posição que The Killing se encontra.
The Killing foi uma série do canal americano de TV a cabo AMC (Mesmo canal de sucessos como Mad Men, Breaking Bad, The Walking Dead…), baseada na série dinamarquesa Forbrydelsen, criada por Veena Sud (Que trabalhou como roteirista e produtora executiva em Cold Case), que estreou em 3 de abril de 2011, foi renovada para uma segunda temporada que estreou em 1 de abril de 2012 e, após essa, foi cancelada recentemente por baixa audiência.
A trama se foca na investigadora Sarah Linden (Mireille Enos) e seu parceiro, Stephen Holder (Joel Kinnaman), que buscam solucionar o assassinato da garota Rosie Larsen (Katie Findlay), sendo esse o grande plot do seriado. Além da investigação, o núcleo da família da vítima e o núcleo político também ganham destaque, tendo tanta importância quanto a investigação dos dois policiais.
Desde seu começo, a série se propõe a duas coisas:
• A primeira delas era o mistério em torno do assassinato de Rosie, que perduraria até o último episódio a ser resolvido.
• Em segundo, a série escapa dos convencionais enlatados policiais com a famosa fórmula “caso da semana”. Cada episódio é apenas um dia da investigação, mostrando detalhadamente cada passo das personagens.
Nesse momento, separarei alguns aspectos, tanto positivos quanto negativos (em minha opinião, é claro) sobre a série:

O Desenvolvimento criticado


Como já citado antes, cada episódio é um dia de investigação. Se você é o tipo de cara (ou mina ‘-‘) que espera plots mirabolantes, descobertas incríveis e personagens tomando decisões decentes, pode passar longe deste aqui.
A série é super lenta em questão de desenvolvimento e são poucas as cenas que Linden e Holder acham algo que é realmente substancial ao caso.
Enquanto achar pistas fundamentais é algo difícil dentro da trama, o que mais vemos (e que acontece com muito mais frequência na primeira temporada) são cliffhangers, o que chamamos no Brasil de “gancho”, para o próximo episódio. E esses ganchos são frustrantes. Funciona mais ou menos assim:

• O episódio X termina com um cliffhanger impactante, algo que parece importante na investigação.
• No começo do episódio Y, é mostrado ao espectador que aquele cliffhanger era apenas uma pista falsa que de nada servirá pra trama principal.

Mas apesar de sua lentidão e dos ganchos mentirosos, esses não foram os maiores motivos para a insatisfação do público. O fato de Veena Sud e os roteiristas da série decidirem estender o mistério, não resolvendo o caso em sua primeira temporada, como a série dinamarquesa em seu primeiro ano, fez com que muitas pessoas sentissem enganadas pela série. E isso é muito fácil de notar em comentários vistos nas redes sociais ou pelos críticos de TV. Quem sabe, podemos até dizer que esse foi um dos motivos que levou a baixa audiência da série em sua segunda temporada.

Eu já acho isso um “mimimi” infernal… Nem Veena Sud e nenhum roteirista ou produtor executivo vieram a um TVLine da vida dizendo que o caso seria resolvido no primeiro ano, mas enfim…



As Personagens


Você já deve ter lido ou assistido a algo em que a história é muito bem feita, mas seus personagens só estão lá pra preencher função (Um exemplo disso é o filme A Origem). Isso não acontece em The Killing. Enquanto a investigação ocorre numa lentidão extrema, nós vamos conhecendo mais e mais dos dois protagonistas, da família de Rosie e dos políticos que de alguma forma estão envolvidos, direta ou indiretamente, com o assassinato. Conhecemos suas personalidades, suas idiossincrasias e seu estilo de viver.

Abaixo, um resumo e crítica as três núcleos:

Os Investigadores


Começando com Sarah Linden, a protagonista mais sem expressão que já presenciei em uma série. No primeiro episódio, Linden está feliz vivendo com seu namorado, Rick – que a pede em casamento e ela aceita sem pestanejar – e seu filho, Jack. É o seu último dia no Departamento de Homicídios da cidade de Seattle e logo, logo vai se mudar para Sonoma, em Los Angeles. Ou seja, sua vida está ótima.
Mas é também em seu último dia de trabalho que o departamento encontra o corpo de Rosie Larsen dentro do porta-malas de um carro e a investigação se dá início.
A partir daí, vemos que Sarah é uma workaholic (Conhecido como “trabalhador compulsivo”. É só pegar uma série do Aaron Sorkin que você verá dezenas de personagens assim) e que fica obsessiva, fazendo da resolução do caso como algo necessário para sua vida continuar.
Ao entrar na investigação, ela passa a enrolar Rick, demorando para fazer sua viagem a Sonoma, e passando a ignorar seu filho com quem ela possui um relacionamento muito escasso.
Sarah é uma personagem que irá te irritar diversas vezes e sua falta de expressividade, falta de atenção com seu filho e sua necessidade de resolver o caso é algo que fez muita gente malhar pau (Além do desenvolvimento da série, é claro). Porém, ao decorrer do seriado, nos é revelado mais sobre sua infância sofrida e acabamos entendendo os motivos da investigadora ser tão fechada e porque ela se envolveu tanto com a investigação. Em alguns momentos, Linden não será mais um incomodo e você até começará a se simpatizar com a personagem, após entendê-la melhor.
Stephen Holder, um ex-policial da Narcóticos, seria o investigador substituto de Linden, mas como ela fica em Seattle, ele passa a ser seu parceiro. Ele possui um jeito descontraído, meio “largadão”, fazendo piadas nos piores momentos e sendo a contrapartida de Linden. Outra coisa que marca o policial é o fato de ser um drogado, vício esse que acabou pegando enquanto trabalhava em seu antigo departamento e esse foi o maior motivo dele ter se mudado para a Homicídios. 
Holder é, sem sombra de dúvidas, o personagem mais carismático da série e isso é muito fácil afirmar, já que os outros personagens são realistas e sérios demais. Suas piadas e jeito de ser servem como alívio cômico, ainda mais quando vemos Sarah o repreendendo ou suspirando após seus comentários.
Mas apesar de sua carisma, o personagem possui um ar misterioso e várias vezes vemos uma Linden desconfiada, perguntando a si mesma se pode, realmente,  confiar em seu parceiro.
De qualquer forma, o relacionamento entre os dois personagens é, com toda a certeza, a melhor coisa. Claro que a série demora um pouco com os dois, mas após algum tempo, uma grande amizade vem crescendo entre Linden e Holder e os roteiristas não caem no clichê de transformar o relacionamento em algo amoroso como muitas séries fazem por aí.
Notamos que é uma amizade inusitada entre dois personagens diferentes demais e que nunca aconteceria se ambos não fossem obrigados a trabalhar juntos. Podemos dizer que ambos são o ápice de uma amizade sincera.

A Família


O patriarca é Stan Larsen (Brent Sexton), dono de sua própria empresa de mudanças, casado com Mitch Larsen (Michelle Forbes), pais da assassinada Rosie, de Tommy (Evan Bird), o filho do meio, e Denny (Seth Isaac Johnson), o mais novo.
Talvez, o núcleo familiar seja o mais bem desenvolvido de toda a trama. Quando eu via série policiais, geralmente a família aparecia apenas sofrendo, chorando e, pelo menos, um parente possuía certa importância em toda a história. Porém, The Killing eleva a importância dos Larsen a um nível que eu nunca havia visto.

Após a morte de Rosie, vemos a família desmoronar. A personagem mais afetada é Mitch que acaba entrando em choque com o que aconteceu. Ela passa a ignorar seus filhos e sua vontade de viver, em grande parte, vai pro brejo, passando maior parte do tempo no quarto da filha, revendo suas coisas e até dormindo na cama dela.

Enquanto isso, Stan tenta ser o elo que mantém todos unidos, apesar de não ser muito bom em lidar com sentimentos, ainda mais com seus filhos. Não ficarei contando muitos spoilers, mas Stan possui um passado misterioso e, quanto mais desacreditado fica em relação ao trabalho que Linden e Holder estão fazendo, ele passa a usar desse passado pra iniciar sua própria investigação.


Pra completar, a família recebe ajuda de Terry Marek (Jamie Anne Allman), irmã de Mitch que acaba cuidando de Tommy e Denny e sendo muito mais mãe do que a própria e seu papel vem crescendo ao decorrer dos episódios.
Apesar de entender todo o sofrimento de Mitch, depois de dez episódios, você vai passar toda a irritação que sentia por Linden para a mãe de Rosie. Com Stan ou Terry, vemos que eles querem que a família continue bem, apesar de isso ser algo difícil de se fazer; Mitch, não. O que vemos é ela jogando tudo fora, desistindo da sua família e até tendo pensamentos suicidas.
Tirando isso, o núcleo familiar é incrível, fazendo você se envolver tanto com os Larsen quanto com a investigação. Stan tentando deixar a família unida, os conflitos entre Mitch e Terry e até mesmo os dois filhos ganhando certo desenvolvimento durante a história é algo muito bom de se ver.

Richmond e seus leais guerreiros


Lembra que o corpo de Rosie foi encontrado no porta-mala de um carro? Então… Esse carro fazia parte da campanha para prefeito de Seattle de Darren Richmond e é dessa forma que a política passa a fazer parte da série.
Darren Richmond (Billy Campbell) é um político, concorrendo a eleição para prefeito de Seattle contra o atual prefeito, Lesley Adams (Tom Butler). Richmond é um homem honesto, que luta pelo direito do povo e que quer mais para os cidadãos de Seattle, ou seja, o político perfeito. Mesmo com toda essa vontade, ele é um homem deprimido, ainda triste pela morte da sua esposa que faleceu já faz alguns anos e que nunca mais se apaixonou por nenhuma outra mulher.
Após o corpo da garota ter sido encontrado, a mídia começa a cair em cima da campanha de Richmond, ainda mais que falta apenas um mês até a eleição. Para ajudá-lo, Darren conta com Gwen Eaton (Kristin Lehman), assessora da campanha com quem possui um caso amoroso, e Jamie Wright (Eric Ladin), gerente da campanha, tão workaholic quanto Linden.
O núcleo político é o mais desinteressante dos três. Apesar da série possuir tempo para desenvolvê-lo, não sentimos que ele tem a mesma importância que vemos em Linden e Holder e na família Larsen.
Gwen e Jamie passam a procurar diversas formas para provar que a campanha de Richmond nada tem a ver com o assassinato e a série acaba se perdendo aí, pois são poucos os momentos que esse núcleo chega a ter importância na investigação. O que vemos é uma história paralela, onde Richmond e seus encarregados tentam provar a inocência de qualquer pessoa de sua campanha ao mesmo tempo em que buscam apoio de pessoas poderosas para que Darren ganhe a eleição.
E isso não chega a ser tão legal assim.

Cenário


Depois da amizade entre Linden e Holder, pra mim, esse é o melhor ponto da série. The Killing possui uma aura realista e crua desde o começo, com relacionamentos complicados, decisões egoístas e consequências terríveis. A Seattle mostrada no seriado, chuvosa e fria, ajuda a dar um ar mais sombrio, criando uma atmosfera nostálgica e depressiva. A produção utiliza planos mais cinzentos, passando quase um episódio inteiro sem nenhuma cor viva, tanto no cenário quanto na roupa dos personagens.
E tudo isso é muito bacana, pois há histórias em que os lugares onde elas se passam nunca são importantes ou nunca significam nada. Já em The Killing isso muda completamente. Podemos até dizer que Seattle é uma personagem dentro daquele universo seco.

A Segunda Temporada


A primeira temporada peca por utilizar o assassinato de Rosie como o centro da série, fazendo seus personagens rodear através disso, enquanto os roteiristas nos entregam cliffhangers irritantes e lentidão no encontro de pistas decentes na investigação. E é esse o problema: dar foco demais a algo que demora muito pra ser desenvolvido.
É como se How I Met Your Mother começasse a dar muito foco no mistério de “Quem é a mãe?” sendo que a série vai demorar temporadas e temporadas até essa resposta. Por isso que, apesar da enrolação que HIMYM faz em seu plot principal, a história da mãe sempre foi um plano de fundo pra contar a história dos outros cinco personagens principais.
E é por isso que a segunda temporada de The Killing dá tão certo.
Apesar da investigação ainda ser a trama motivadora da série, os personagens ganham muito mais tridimensionalidade, detalhes esquecidos da primeira temporada voltam com uma tremenda importância, os episódios se tornam um pouco mais ágeis, sem contar os personagens secundários que ganham mais destaque.
Os cliffhangers, dessa vez, não são tão frustrantes e o núcleo político dá uma leve melhorada, o que já é algo bem melhor.

Conclusão


A lentidão, alguns equívocos que os roteiristas tomaram ao decorrer da trama, os personagens sem carisma e as críticas negativas pelas redes sociais não são muito animadoras e isso pode até lhe fazer perder o interesse pela série. Mas sou da opinião que The Killing vale a pena.
É aquele negócio de se colocar na balança… Se você, mesmo reconhecendo os erros que a série possui, ainda sente vontade de assistir, é porque você gosta do show. Às vezes, te frustra, mas no final, o saldo é mais positivo do que ao contrário.
Se você curte séries realistas e com um desenvolvimento lento como Six Feet Under e Breaking Bad ou séries policiais com uma investigação amarrada e, até certo ponto, complexa ou se apenas quer assistir por que gosta de mistérios, você deve dar uma chance para a The Killing.
Ah, e a resolução do caso é ótima, então, fica a dica. =D

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