Eu Quero Morar Na Lua

Capa do EP por Danielbt



   Eu não quis ser parcial e fazer uma review do meu próprio trabalho, então pedi para subornei uma pessoa fazer isso por mim. Segue abaixo, então, a review track by track do EP “Eu Quero Morar Na Lua” por Dan Arsky futuro escritor e editor renomado, atual escritor e amigo mutante, do blog 800 Gritos Mudos.
[Sugestão: Acompanhe a review ouvindo cada música]



Sortearei um CD entre as pessoas que comentarem, se alguém comentar..


O CHÁ DAS CINCO PODE ESTAR ENVENENADO
Review do EP “Eu Quero Morar na Lua”

   Não compro mais discos desde quando adquiri meu primeiro gravador de CD, um LG com leitor de DVD, caríssimo na época, hoje lixo informático, isso há mais de dez anos. Daquele tempo para cá, troquei quase todos os meus CDs por livros em uma de minhas últimas idas ao sebo, já não tinha muito; guardei pouca coisa: o que tinha de valor sentimental e presentes de amigos, familiares e dos músicos que me deram ou venderam o disco em mãos. Por ser adepto da música digital e gratuita desde quando baixei o Napster em 1999, perdi muito do prazer de se apreciar um disco. Acreditava que nem conseguiria mais fazê-lo direito, e, para ser sincero, nunca fiz muita questão. 
    Eis que recebi o convite de fazer o review do EP “Eu Quero Morar na Lua”, de minha amiga Mariana Bisonti. E resolvi fazer desse disco um vinho caro: segurar a garrafa, contemplar o rótulo, cheirar a rolha, deixar a bebida respirar, servi-lo, sentir intensamente seus aromas, suas cores, seus gostos e retro gostos e avaliar o resultado de tudo isso. [Para continuar lendo, clique no Continuar Lendo.. ;D]


   Quando recebi o disco em mãos, já fiquei completamente impressionado, não só pela capa minimalista e imaginativa, bem como pelo tipo de papel da embalagem, tudo feito com o teor mais artístico possível, a textura era de uma tela para pintura. A impressão do próprio disco também é louvável, só de olhar sabemos que foi feito com capricho e com muito carinho e esmero.
Colocado o disco no meu tocador e servida uma fumegante xícara de café para alimentar o crítico musical que existe dentro de todos nós, apertei o botão e analisei o que a primeira faixa havia para me oferecer, uma canção chamada “Eu Quero Morar na Lua” que carimba o título do EP.

    A música é iniciada como uma suposta balada, com muita suavidade e doçura, mas com o desenvolver da letra, notamos um lirismo de evasão total, não só das conveniências sócias, como também da razão e das coisas tristes desse planeta. Trata-se de uma canção de autoconhecimento, conquista pessoal e engrandecimento espiritual, sempre buscando o que há de melhor dentro de nossa essência. É uma canção com que muitos irão se identificar, pois desse mundo chato nos resta pouca coisa além de recomeçarmos.

    Mudando o idioma, a canção seguinte é “Stephen”, cantada em inglês. Não precisamos de mais de dois versos para saber que se trata de uma música sobre um coração ferido. E o ritmo levado em um nível completamente acima das expectativas que uma canção de amor pode propor. A letra em si nos força a oferecer um abraço, um ombro morno ou ainda, para os mais extremos, arrebentar a cabeça de Stephen com um martelo por brincar com os sentimentos de uma garota tão doce. É certamente a canção mais emotiva e carregada deste álbum.

    A terceira faixa, “Inês É Morta” é uma de minhas favoritas, e certamente será a de muitos. Com uma introdução bruxuleante, funesta e forte, nos remete a melodia de um carrossel desajeitado, desses de parques de diversão de quinta categoria. E quando a voz é solta, percebemos a força que a canção traz consigo. Uma música sobre força, superação e sobre o quão inabalável pode ser o coração de uma moça. O refrão, completamente carregado e visceral, dá aos ouvidos um sabor indescritível e ao peito, uma sensação de flutuo e uma vontade imensa de gritar todos seus versos. Essa faixa deixa clara a força da moça como pessoa e demonstra todo seu talento como música e compositora.

    Novamente em inglês, a faixa “How Can I Say” relaxa todas as sensações da faixa anterior. Com uma melodia adocicada e uma letra completamente poética, percebemos algumas das influências musicais da artista, um quê de Taylor Swift, um quê de Colbie Caillat, isso tudo sem perder qualquer pingo de originalidade.  Uma canção com clima de chá da tarde.

    Finalizando o EP, temos “Amontoado de Clichês”. Com uma percussão contagiante e uma letra surrealmente divertida, a música desperta diversos tipos de reação enquanto é ouvida. Somos por ela contagiados de alegria, somos embalados, suspiramos, sorrimos e pensamos. Uma música muito bem elaborada e trabalhada, consegue animar qualquer semblante triste.

    Depois de ouvi-lo inteiramente, fui começar minha análise do disco e precisava de um título para o texto que trabalhasse a essência de Mariana Bisonti e do disco em si. Uma mistura de doçura, inquietação, energia e aquela força inabalável das mulheres de Hollywood. Poderia ser uma macia nuvem de aço, uma bailarina empunhando uma baioneta, poderia até ser um doce feito de uma bebida forte. Foi então que concluí que estas canções têm o clima festivo e suave de um chá da tarde servido em um quintal todo gramado, e portam também toda a força, como o cianeto perante a vida de um homem qualquer. Quando for ouvir o EP “Eu Quero Morar na Lua” vai encontrar uma espécie rara, a doçura mais áspera que pode se ouvir, uma sinestesia total. Cuidado, o chá das cinco pode estar envenenado!

5 pensamentos sobre “Eu Quero Morar Na Lua

  1. Muito Bom! Tudo! Review e EP!

    Achei que a análise explica bem o sentimento que as músicas trazem. Uma melancolia gostosa!

    Mariadness….a última música, com certeza, me tornou uma pessoa melhor… menos exigente! X)

    Obrigada por fazer parte de mim! Vc definitivamente é 'The Best'!

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