“99 não é 100”


         Demorei para dar atenção pro meu little loser, porque voltaram as aulas, e sabe como é, já tenho vários trabalhos em vista e o primeiro foi assistir e escrever uma crítica ao documentário “Lixo Extraordinário”. Já que isso cabe perfeitamente no contexto do Cult Cult aqui, resolvi postar minha crítica na íntegra. 
Os leitores frequentadores (I belieeeve you exist!) podem estranhar a linguagem e tal, mas sim, eu seu ser civilizada e encher muita linguiça quando necessário. Quem for comentar (tá, nessa eu não acredito) pode chutar a nota(eu não sei quanto vale, e se vale alguma coisa) que acha que eu vou conseguir ou que eu mereço, sei lá.. um bolão..valendoo..nada. Tá, quem chegar mais perto pode escrever um post.! Yeey.! É uma forma de eu explorar alguém e fazer essa pessoa pensar que ganhou alguma coisa..
Não, mas, sério, se tiver pelo menos 5 comentários, e se a pessoas quiser, tá de pé.


         O título é a frase de um dos personagens do já tão premiado e nomeado ao Oscar, documentário “Lixo Extraordinário”, que apresenta o projeto do fotógrafo e artista plástico Vik Muniz com os catadores de material reciclável do maior aterro sanitário do Mundo, o Aterro do Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro.
A frase é dita por um dos catadores, em referência ao pensamento da maioria das pessoas em relação ao lixo “Ah, é só um papelzinho de bala”, e essa pessoa que joga o lixo nas ruas é considerada cidadã, diferente desses catadores de lixo, esquecidos por todos, esquecidos por eles mesmos, invisíveis para o mundo.
         Conforme a evolução do projeto e a continuidade do filme, passa-se a enxergar mais do que um bando de gente catando lixo; como Tião, presidente da Associação dos Catadores de Lixo de Jardim Gramacho diz, eles não catam lixo, eles catam material reciclável, lixo é o que não é reutilizável, coisa que muita gente se nega a entender; as formiguinhas amarelas da vista panorâmica do helicóptero, vão ganhando forma e identidade com a aproximação das câmeras. Começam a ser reconhecidas as suas histórias e sua cultura. Enquanto Tião lia Maquiavel e Zumbi lia “A Arte da Guerra” sonhando em montar uma biblioteca com os livros encontrados no lixão, alguma revista de fofocas batia recordes de vendas.
         O documentário não é sobre Vik Muniz, o foco do filme é contar a história dessas pessoas, provar sua existência numa sociedade tão desigual, mostrar o seu valor e retratar a transformação que ocorre em suas vidas com a arte e durante o processo. Mas o criador do projeto tem seu merecido destaque com algumas cenas talvez desnecessárias, e como quem mudou a vida dessas pessoas.
No filme, deixa-se bem claro a questão de como tudo aquilo poderia iludir o grupo de catadores, que quando tudo acabasse, eles voltariam para aquele lixão que já não fazia parte dos seus planos, porque agora eles tinham planos, sonhos não tão impossíveis.
Será que é justo interferir na vida das pessoas, levá-las a uma nova realidade, uma vida melhor? E depois? Como dizia a raposa de “O Pequeno Príncipe”, “Tu és responsável por aquilo que cativas”.
Vik se responsabilizou em mudar a realidade desses personagens e isso ele fez. Por mais que a vida de algumas daquelas pessoas não tenha mudado muito, alguma coisa dentro delas mudou. Suponha-se que aquilo tudo tivesse sido um sonho, entretanto, a mensagem era real, a capacidade que eles tinham e não viam era real. Eles passaram a acreditar em si mesmos. Digamos que a presença de Vik foi apenas a gota d’agua para terem força e esperança de mudar. Sem o envolvimento de uma pessoa mais conhecida, nada disso teria acontecido, mesmo que eles tivessem a idéia, mesmo que eles quisessem mudar. Bom, quem sabe não mude a cabeça de alguns espectadores por aí, nem que seja só um, terá o seu valor. Afinal, 99 só é 100 com mais 1.


Um pensamento sobre ““99 não é 100”

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